Hoje é um dia tão feio, cinza, nublado.
Irradia tristeza, talvez porque eu esteja triste.
Tão triste que nem dançar, nem música favorita e nem chocolate amenizam esse buraco negro que abriu no meu peito e suga toda a minha energia.
Falando em chocolate, ainda não abri o que você me deu no nosso aniversário, nem na Páscoa. Porque sou perfeccionista e quero saborear totalmente o momento, quero sentir seu beijo doce e seu carinho a cada mordida, e não posso fazer isso agora.
Eu quero tanto te chamar pra conversar e dizer que preciso de carinho, que preciso me sentir querida. Mas não se pede pra alguém se importar.
Eu sei que já pedi muitas vezes, mas não quero o resultado de sempre e não sei como fazer diferente.
Andei lendo textos maravilhosos de amor, aqueles bem tristes, aqueles que se escreve quando a outra pessoa vai embora e se percebe que não consegue respirar sem beijar aquela pintinha na testa, bem agora que aquela pintinha nunca mais estará perto.
Eu fico pensando se você escreveria um desses se eu fosse embora, temo que não, que eu iria ser jogada fora como uma palavra cruzada completa, que não entusiasma, que não tem mais nenhum atrativo.
Mesmo que eu suspeitasse que você escreveria não estaria disposta a pagar o preço. Não tô pronta para ir embora, não pretendo ficar pronta para ir embora.
Mas não tô conseguindo ficar.
Queria tanto que você desejasse saber como eu me sinto.
Eu me sinto tão pequena, do tipo que se guarda no bolso até querer se distrair de novo.
Talvez você não acredite, e nem tem motivos para acreditar, mas já fui tão sorridente, tão esperançosa, tão cheia de sonhos que eu acreditava ser capaz de realizar. Não sei o que aconteceu.
Na verdade sei sim, eu fui encolhendo.
A cada frase não concluída, a cada ideia ignorada, a cada dúvida deixada pra depois, a cada "isso não é importante". Mas era tudo importante, importante para mim.
E não acho que você vá enxergar nada disso, se é difícil enxergar uma, imagine todas de uma vez só.
Não me leva a mal não, é que esse é meu último esforço, eu tô tão pequena que preciso fazer algo pra não sumir.
domingo, 12 de abril de 2015
O Que Eu Preciso Não Dizer
domingo, 8 de fevereiro de 2015
Panic at the QUALQUER LUGAR!
O post de hoje é bem sério, é um assunto difícil de lidar sozinho e que precisa de uma empatia substancial pra entender.
Síndrome do Pânico.
Não tenho a pretensão de falar sobre questões médicas, sugerir tratamentos ou nada do tipo.
Só quero contar como é o outro lado, o lado de quem convive com isso.
A primeira coisa é a vergonha, vergonha da sua condição, pavor de ter uma crise e alguém ver, vergonha de não conseguir mudar sua condição.
Uma crise pode se manifestar de muitas maneiras: crise de choro, tremedeira, dor de estômago, dor de barriga, queda de pressão, raiva descontrolada, tiques nervosos, movimentos repetitivos, dificuldade para respirar, sensação de desespero.
A sensação de impotência também é desconcertante.
Eu por exemplo, só me sinto segura no meu quarto, na minha cama, onde ninguém vai me atacar, me estuprar, me ofender, me apalpar, me difamar.
Outra questão é o isolamento, o medo a princípio de multidões, depois de lugares cheios, grupos grandes, até evitar quase completamente o contato.
Quando vc se isola, vc controla o ambiente à sua volta: som, claridade, circulação de ar, a consequências é a hipersensibilidade a qualquer mudança quando vc está fora do seu local seguro.
Paradoxalmente, há o medo da solidão e do abandono, o pavor de não ter a quem recorrer numa crise.
Para concluir, vc perde o controle sobre o seu humor, e não quer envolver suas pessoas queridas nisso, pois lidar com uma pessoa nesse estado é cansativo, frustrante e deprimente. Novo paradoxo, precisar de ajuda e não querer que ninguém se aproxime.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Polêmica da Semana: Beijo é Crime?
Crime é forçar, coagir, ameaçar, abusar de menores ou vulneráveis.
Boa parte das abordagens do assunto que tenho visto minimizam o ato desse sujeito a um simples mal-entendido, um nossa-até-beijar-tão-proibindo quando na verdade não é nada disso.
Um dos assuntos da semana é um indivíduo condenado a 7 anos de prisão por beijar à força uma moça no Carnaval na Bahia em 2008.
Fui me informar melhor.
Reportagem do G1:
"A denúncia oferecida pelo Ministério Público da Bahia relata que o denunciado foi preso em flagrante delito por ter agarrado o pescoço da vítima, dando uma 'gravata', sendo que, após imobilizá-la, beijou a sua boca por várias vezes sem consentimento.
"Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos (art. 213, caput)".
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Juro Solenemente
Bom, estava eu há 5 minutos assistindo um episódio da série em que um momento é citado o Juramento de Hipócrates que todo formando de medicina faz:
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
Séries V: Laranjinha Básico
O tema de hoje é:
Rufem os Tambores!
Honestamente?
É a série mais ponto-fora-da-curva que eu já vi!
Baseada no livro Orange Is the New Black: My Year in a Women's Prison de Piper Kerman.
É a história de uma Barbie: linda, loira, rica, noiva, prestes-a-se-casar-com-o-homem-da-vida-dela que de repente se vê na prisão culpada de participação num cartel de tráfico internacional de drogas.
Absurdo, né?
Bom, a Piper (sim, a autora do livro) se envolveu com uma moça (uau! ela é bi, tirem os moralistas da sala!) que pediu para que essa carregasse uma mochila com dinheiro, delatada pela ex 10 anos depois do ocorrido Piper está presa.
Sabe aquela história de sexo-frágil, doce-meiga-feminina, mulher-musa, Amélia-é-que-era-mulher-de-verdade? Esqueça!
O sistema presidiário americano em que as presas podem trabalhar em troca de redução de pena, estudar, aprender uma profissão, participar de atividade me parece muito mais próximo de conseguir reabilitar as condenadas do que o sistema brasileiro deixa-apodrecer-como-sardinha-em-lata.
As personagens são diversas, extremamente diversas, brancas, negras, latinas, hetero, homo, bi, cis, trans, budistas, evangélicas, católicas, muito jovens, adultas, meia-idade, bem idosas, casadas, noivas,deficientes mentais, doentes,separadas, mães, traficantes, assassinas, assaltantes, stalkers, viciadas, estelionatárias, mentes criminosas, motoristas de fuga, "cabras expiatórias". Cada personagem tem sua história, seus motivos, todas são profundas, intrigantes.Além das presidiárias conhecemos suas famílias, todo o jogo político, burocracia, desvio de verba, tudo.
A série mostra guardas estuprando, corrompendo e subjugando prisioneiras, presas demarcando território, esquema de tráfico, extorsão, cenas de violência, cenas em que não se vê mulheres.
Também trata de maternidade, sexo, aborto, vaidade, negócios, armas, poder, dinheiro, dominação, territórios, é a típica série que, se fosse estrelada por homens, faria mais sucesso que Prison Break, 24 Horas e Breaking Bad juntos.Enfim...
É preciso ressaltar a brilhante atuação de Laverne Cox como Sophia Burset, é empoderador ver uma mulher trans negra representando uma mulher trans, sem estereótipo, uma visão íntima, é uma personagem como qualquer outra, de quem conhecemos a história, os medos, os desejos, as ambições, é impossível não se apaixonar por ela!
BRACE YOURSELF!TERCEIRA TEMPORADA IS COMING!
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
(In)visibilidade
Não é um tema muito recorrente aqui no blog, mas há uma razão: eu não tenho condições de falar com propriedade da causa trans, eu sou cis, só convivo com pessoas cis, então só conheço a experiência cis, qualquer comentário sobre pessoas trans que eu faça será menos relevante que qualquer relato de uma pessoa trans.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Série IV: Éssi-Ví-Iú
Lei e Ordem: Unidade de Vítimas Especiais, exibida desde 1999 é derivada da série Law & Order, mas com outro recorte. Essa série trata de estupro, abuso sexual, pedofilia, pornografia infantil.Já está na 16ª temporada e continua sendo um grande sucesso da TV estado-unidense.
É extremamente interessante pois mostra duas maneiras da justiça lidar com casos de estupro por exemplo, quando há uma criança envolvida há uma comoção nacional, pressão da mídia, mais recursos são disponibilizados e tudo gira em torno de prender o culpado por violar a inocência, em contrapartida quando trata-se de estupro de uma mulher adulta faltam recursos, as pessoas não colaboram, a mídia não pressiona, a vítima é desacreditada.
O jogo jurídico envolve fazer o júri acreditar que a vítima é mentirosa, imoral e portanto a acusação seria falsa, cria-se uma imagem de bom moço/pai de família do estuprador e faz-se acreditar que um homem tão bom jamais cometeria tamanha atrocidade. A atuação dos advogados e promotores é brilhante, muitas vítimas desistem de denunciar para não serem atacadas na rua, por medo do agressor, para não mancharem a imagem da família/universidade/empresa/cidade.
Outro destaque é a detetive Olívia Benson, protagonista da série que lida com problemas familiares, relacionamentos amorosos, a questão carreira X maternidade, o machismo institucional. Outro ponto bastante interessante é que qualquer descontrole emocional, ataque raivoso dos detetives/policiais homens é tido como normal/compreensível/justo/necessário para a profissão e muitas vezes o homem que o demonstra é tido como verdadeiramente envolvido em seu trabalho, enquanto que qualquer sombra de emoção de uma profissional mulher é motivo para desqualificá-la e desmerecê-la da função.
Se você é uma daquelas pessoas que reagem com "não pode ser verdade...", "isso jamais aconteceria na vida real!", "ela deve estar inventando!", "mas ele não é um monstro/doente/psicopata!" fica o convite para assistir este seriado, as tramas são excepcionalmente bem feitas, a verossimilhança é inacreditável, o enredo é complexo, cheio de cenas de ação, julgamentos emocionantes, só se prepare para viciar!



