quarta-feira, 12 de março de 2014

Coragem?!

UmaMasamiseta de super-heroínas,  ouvir "Run the World" da Beyonce, estar com o agasalho da faculdade.

São as únicas ferramentas que tenho para enfrentar.

Ah! Eu tenho uma mini lanterna também!

Enfrentar a escuridão de parte do caminho,  o fato de que uma aluna quase foi estuprada aqui e não fizeram nada, o fato de que eu não janto na escola por medo de andar sozinha até o restaurante universitário,  o medo de dormir no ônibus se um homem senta do meu lado.

Sei que tenho poucas armas, mas eu estive aqui ontem,  estou hoje e só saio daqui formada.

Ainda tenho muito espaço pra conquistar.



"It's hot up in here DJ

Don't be scared to run this, run this back

I'm repping for the girls

Who taking over the world

Help me raise a glass

For the college grads!"



Mas estou aqui sozinha novamente...

domingo, 9 de março de 2014

Flores

No dia de ontem, muitas mulheres ganharam flores.
Eu preferia que essas flores fossem colocadas nos túmulos das que morreram lutando.
Na verdade preferiria que não houvessem túmulos.
Nem daquelas operárias que morreram queimadas.
Nem das 15 mulheres que morreram também ontem.
Todas por serem mulheres.

"Há flores por todos os lados.
  Há flores em tudo que eu vejo
  Cobrindo o telhado
  E embaixo do meu travesseiro

Mas as flores de plástico não morrem"

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Ser Musa

Um raro momento de tranquilidade. ..



Um desses dias, estava eu devorando vorazmente um blog. Até aí, tudo bem, tudo certo. O assunto tratado é bem comum, o pai que está doente, os amores da vida...

Eis que me pego pensando:
"Queria ser uma dessas..."

Mas dessas o quê, cara-pálida?

Dessas pessoas que inspiram.

Inspiram melodias, letras de música, esculturas, quadros, poesias, prosa, poesia, livros, novelas, uma crônica que seja!

Queria provocar uma alma a ponto dela explodir em sentimentos e só se aquietar numa loucura qualquer. 

Viagens, cartas, bebedeiras,  telefonemas na madrugada, banhos de chuva,  datas e horários perdidos.

Mas não sou dessas pessoas especiais que marcam, eu passo, passo ali na beiradinha, de mansinho e quando se viram pra ver se estou ali, já fui.
Estou em outro cantinho qualquer e depois outro, outro e outro.

Talvez em algum cantinho um dia alguém encontre os planos, os sonhos que risquei ali, a imaginação e a perspectiva que me prenderam ali, costas pras paredes, observando, e seguindo.

Só mais uma pessoa sem importância nenhuma.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Como Você Se Chama?

Diferente de:
Qual a sua graça?
Qual o seu nome? O de verdade?
Quero ver seu RG!
Essas são 3 frases que passam pela vida de mulheres trans*.
Nota da autora: o termo trans* é um guarda- chuva,  que pretende abranger todas as pessoas que não se identificam com seu sexo biológico.
Mas como diz a diva da Simone de Beauvoir, "Não se nasce mulher, torna-se."
Então você pode ser conduzida à um bercinho forrado de cor-de-rosa ao nascer,  mas quando se reconhece como indivíduo,  se reconhece como homem.
Existem pessoas trans* (sim, pessoas! Com, direitos e necessidades que importam! ) que se sentem melhor adquirindo características através de tratamento hormonal, existem as que optam pela transgenitalização, existem as que optam pelos dois ou por nenhum dos dois.
Esses indivíduos enfrentam problemas que são fruto da ignorância,  do preconceito,  por exemplo, nem sempre o documento de identificação condiz com a realidade,  constrangimento,  são expulsxs dos banheiros (hello! Todo mundo tem necessidades! ).
Você sabia que mais de 1/3 dos trans* mortos no mundo por transfobia ano passado, morreram no Brasil?
Não sabia?
Eu também não.
Por isso, o que essas pessoas reivindicam hoje é apenas o direito a continuarem vivas e serem vistas como... pessoas!
Não,  não tem distúrbio de personalidade,  não se apresentam com um sexo diferente do biológico para chamar atenção,  não estão ameaçando ninguém,  só são assim.
E tem todo o direito de ser.
E se algum dia vir uma pessoa trans* usando o banheiro do gênero que ela se identifica,  seja gentil, essa pessoa precisa ir ao toilete como você. 
Não faça de algo natural um trauma, ninguém precisa disso.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Pais e/ou/mas/mais Filhos

Estátuas?
Cofres?
Paredes pintadas?

Ninguém sabe o que aconteceu!

(Nota: tentando não ser um instrumento de uma nota só,  esta que vos escreve decidiu falar sobre diversidades, não só sobre feminismo)

Os pais; e quando digo isso abarco todas as opções: pai+mãe,  pai+pai, mãe+mãe,  pai que vale por dois, mãe que vale por duas, madrinha, padrinho, tios, tias, avós e qualquer outra forma que eu devo ter esquecido;  esses xuxus que educam e ensinam (ou pelo menos deveriam) são seres humanos e também cometem erros.

O post de hoje, como vocês devem imaginar pelo rumo desta prosa será sobre a maravilhosa receita de estrogonofe de carne que eu inventei .

Não!  Pera...

Sobre o que eu considero o maior erro dos pais: a mistureba de assuntos...

Do alto do meu mestrado com louvor em Coisissimus nenhumus, mas, enfim.

Eu penso em educar filhos como educar alunos.
Calma!
Não fuja!
Juro que tem um pingo de lógica (ou não,  né? ) no argumento!

Existem várias áreas da vida que precisam ser abordadas: cuidado pessoal, relacionamentos, finanças,  objetivos, organização,  incentivo ao talento, diversão,  descanso, respeito ao próximo,  vida em sociedade.  Assim como as matérias da escola, e cada um tem facilidade com uma coisa e dificuldade com outras.

Os pais estabelecem regras, conferem e punem, assim como a lei .

(Brasileira falando de lei! Faz-me rir!)

Se uma criança brinca com a comida,  um castigo justo é ela ficar sem sobremesa, se quebrou algo de alguém deve "pagar" sendo privado de algo, se não se comporta na casa dos tios, perde o direito de visitar o amigo.

Mas é comum que os pais tenham reservas em comentar certos assuntos, mas exigem que os filhos falem de tudo com eles, 
Não que eu acredite naquela história de privacidade pra crianças de 5 anos, muito pelo contrário.

Mas pior do que cobrar o que não se ensinou é ser vingativo.

Por exemplo,  pais separados, uma criança diz que prefere morar com o pai, aí a mãe fala que então,  não vai dar mais aquele presente.

Outro exemplo,  um adolescente se envolve com alguém que os pais não aprovam, em vez de conversar a respeito,  cortam a mesada, Qual a lógica?

Não se pune quem não sabe a tabuada mandando ler Camões.

Nota da autora: como existe gente que acha tortura estudar tabuada? O.o

Assim como espancar a criança que falou um palavrão, ou que comeu com os cotovelos na mesa ou quebrou um prato sem querer?

Achando que privar de conforto, bater, ofender, humilhar, cada vez que o filho testa os limites dos pais é receita pra falta de respeito,  medo,  violência.

E acredito que nenhum pai quer semear esses valores nos filhos.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Amor ao... PRÓPRIO? ??

As pessoas que me cercam não são religiosas, já foram muito,  bastantes delas, diversas religiões.  Ouvi muito, sou curiosa, sabe?
Acho muito bonito algo que todas as que tive oportunidade tem em comum: pregar o amor ao próximo,  o desejar bem pro outro.
Acho, com o perdão da redundância,  divino!
Mas, sempre tem um mas...
Ouvi pessoas catequizando e evangelizando contra a vontade,  tratando as outras religiões como erradas.
Não acredito como errada nenhuma religião que pregue o bem e o amor.
Não acredito em religião que prega contra o modo de vestir e cobra  frequência ao culto/missa/encontro espiritual/reunião mas pouco fala da maledicência,  que não se revolta contra o preconceito.
É fácil demais falar em amor ao próximo quando se trata de alguém igual a você.
E se for completamente diferente? Não é digno de amor?

sábado, 4 de janeiro de 2014

O X da Questão


Leio vários blogs feministas, outros escritos por feministas, que, para não excluir pessoas cis, trans, homo, hetero, homens e mulheres, substituem a vogal que caracteriza o gênero por x.

Eu acho o máximo,  acredito que a linguagem transforma, principalmente quando vejo a "piadinha" de extremo mau gosto da palavra universalizante "puta", que pode ser sinônimo de cadela, vagabunda, vaca, galinha, enquanto os masculinos das mesmas palavras significam respectivamente endiabrado, desocupado, forte e líder.

Entretanto. . .
Como mimimi pouco é bobagem,  li no Facebook de um amigo que acha o tal x um absurdo pois não "soa bem durante a leitura" e pensei que é o cúmulo do egoísmo. O que custa?
Será que esse ser nunca parou pra pensarno quanto alguém fora do padrão heteronormativo sofre por não se identificar/ ser identificado ???

A pessoa não liga de usar aquele palavreado horroroso de internet, além de erros de português e todo mundo tem que aturar para "não ser inconveniente" e ele faz um estardalhaço por causa de um x?

Ah!!! Poupe a todxs nós!