sábado, 22 de agosto de 2015

Último Capítulo

Acho que é a primeira vez que não vou te dizer algo.
Provavelmente porque aquela sensação de aconchego que eu sentia perto de você não exista mais.
O que de certa forma é bem triste.
Não vou negar que vc feriu meu ego, que chorei de tristeza e de raiva e que tentei ignorar toda essa confusão que eu estava sentindo.Que não me senti devastada por ver vc tão bem enquanto eu continuava destroçada por dentro.
Sinto muito por não ter correspondido às suas expectativas.
Ainda mais por vc não ter correspondido às minhas.
Embora a princípio te ver tão feliz tenha me incomodado um pouco, finalmente me dei conta de algo:
Nunca vou querer te ver triste, sofrendo, desapontado.
Mesmo que minha felicidade não dependa mais disso, sempre vou querer te ver feliz.
Vc tem um futuro magnífico pela frente, e ainda que eu não esteja nele uma partinha de mim sempre estará torcendo à distância.
Leia isso, ou não.
Responda isso, ou não.
Voltemos a ser bons amigos, ou não.

Mas agora, finalmente, tudo está em paz.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Todas as Teorias

Se o filme é Capitu, o livro é Bentinho.



Existem diversas definições de arte, uma das mais interessantes é que arte é tudo aquilo capaz de provocar reações a quem é exposto a ela. Talvez não todos os tipos de reações.
Aliás,  objetos que são um fim em si mesmos e não provocam reações significativas também costumam ser chamados de entretenimento.

Falando nisso...,
Qual o limite entre a arte e o entretenimento?

Stephen Hawking é ateu convicto e acredita que "Deus não joga dados com o Universo".
Ironicamente a ciência é incapaz de fornecer uma explicação para a sobrevivência de vida dele.

A Teoria de Tudo é um livro fascinante, a melhor parte é que ele se mostra uma obra de arte excepcional segundo aquele conceito pois levanta tantos questionamentos em tantas esferas que deve ser degustado e digerido lentamente, caso contrário pode-se perder diversas nuances.

Falar da capacidade de superação do professor Hawking seria nada mais que um clichê...

(a propósito um clichê que a Academia de Cinema ama e que proporcionou o Oscar de melhor ator a Eddie Redmayne, falando em clichê também podemos citar a romantização do personagem principal e o clássico primeiro encontro no baile da faculdade)

...então que tal falar sobre outras questões interessantes sobre o protagonista?

A incapacitação física torna o ser humano mais frágil ou a habilidade de lidar com a deficiência o torna mais resistente?
A longevidade de Stephen seria a prova de que a mente pode triunfar sobre o corpo e/ou que a religião pode sobrepujar a ciência?

Uma ironia: mesmo com 73 anos o cientista não mostra o menor sinal de diminuição em suas capacidades mentais, ao contrário de sua condição motora.

Tal como o filme, falamos até agora do que concerne ao professor, mas tal como o livro podemos analisar os acontecimentos da perspectiva de Jane:

(aliás Jane Wilde Hawking possui um PhD, fato desnecessariamente omitido)

O quanto é saudável ou não dedicar sua vida inteira ao bem-estar e sucesso de outra pessoa obtendo em troca pouco ou nenhum reconhecimento?
Até que ponto uma pessoa é socialmente obrigada a cuidar de outra?
O sentimento de culpa mesmo quando racionalmente injustificado pode levar alguém à insanidade?


Em tempos de redes sociais o limite entre vida pública e privada tem se tornado cada vez mais difícil de estabelecer, por outro lado, durante uma considerável parte da vida do casal existia um grande esforço para esconder as dificuldades físicas e financeiras passadas pela família.

Se a situação da ELA (aquela do desafio do balde de gelo) fosse melhor conhecida na época, os Hawking teriam mais apoio? Ou comover a opinião pública diminuiria o mérito do cientista?
Ou ainda, o quanto as doenças degenerativas ainda são desconhecidas?

Os espaços públicos estão preparados para receber o indivíduo com qualquer tipo de deficiência?
Se imagine de muleta (por exemplo) enfrentando sua semana de aulas na Politécnica.
Todos os prédios têm rampas e elevadores e banheiros adaptados?
Seus locais de aula são próximos um do outro?
As pessoas estariam dispostas a auxiliar?
Você se sentiria diminuído por depender de ajuda?


Além de todos esses questionamentos existe toda uma abordagem do trabalho de Stephen feita por Jane (uma pessoa sem nenhuma formação em exatas), não se espante em reconhecer termos das aulas de Física do biênio, e de uma maneira interessante!

A grande (e mais sentimental) pergunta que restará ao ler e assistir A Teoria de Tudo é:
Qual sentimento era maior: o de Jane por Stephen ou de Stephen pela Física?




PS: Se você gosta de música clássica ou instrumental precisa ouvir a trilha sonora do filme! Principalmente as músicas: The Theory of Everything; Cambridge, 1963; Cavendish Lab; The Whirling Ways of Stars That Pass; Epilogue; The Origins of Time e The Wedding.
(Na verdade é melhor ouvir todas porque são fantásticas!

quarta-feira, 15 de julho de 2015

FILE

WTF is FILE?

Festival Internacional de Linguagem Eletrônica!
Em exposição na Galeria de Arte SESI - SP e também na fachada do edifício da FIESP e nas estações Trianon-Masp e Consolação do Metrô.

Ok, vc respondeu onde mas não respondeu o que. GENIUS

Então, sabe o que é? É que são muitas coisas sendo uma coisa só.

Ahn? Seja mais específica criatura!

Bom, é um negócio artístico, cozido lentamente em interatividade, uma xícara de videogame, uma pitada de literatura, talvez um pouco de dança...

Dança? Clássica? Contemporânea? Street?

Na verdade não é exatamente uma dança de pessoas, tem dança de luzes, de espelhos, tem de pessoas e máquinas gerando duplicatas, tem dança de gente e luz, tem dança de plástico contra e com a física.

Mas tem joguinho?

Muitos! De joystick, touch, realidade virtual...

Realidade Virtual??? E eu posso interagir?

Mas é claaaaro que sim! Tem realidade fixa com vc parado, em movimento pendular, em pé, sentado, tem vc entrando na tela e pessoinhas saindo da tela também!

E música? Só gosto de arte se for música...

Calminha, tem música eletrônica experimental do mundo inteiro, tem instrumentos que se toca só piscando os olhos e um mega painel enorme com dezenas de botões que apertados simultaneamente tocam instrumentos distintos e criam melodias e ritmos diferentes!

E até quando vai funcionar?

Bom, aí depende. A exposição na Galeria de Arte acontece todos os dias das 10h as 22h até 16 de agosto, o FILE Led Show e o FILE Metrô  só até 19 de julho.

E quanto custa?

Nada! Nadinha! Niente! Nothing!
\o/

Como assim vc ainda não foi????


segunda-feira, 13 de julho de 2015

Brasil: O País da Ginástica

Ginástica Atística! Uhul!

Está rolando o Panamericano 2015 em Toronto, Canadá e tivemos as classificatórias d ginástica artística feminina ontem dia 12/07 e prova de individual geral feminino hoje dia 13/07.

A equipe conquistou a medalha de bronze por equipes sob a orientação de Daniele Hypólito, artista de 30 anos (recuperada de lesão, em excelente forma) que abriu todas os aparelhos brasileiros com firmeza, segurança e bastante consistência.

Fonte: ESPN
Na competição de hoje tivemos Daniele Hypólito e Flávia Saraiva competindo nas provas de individual obtendo 5º e 3º lugares respectivamente.

Destaque para Flavinha com apenas 15 anos, 1,33m e 32 kg de pura graça, força, agilidade e carisma que conquistou a torcida canadense.

Amo a ginástica artística (como fã evidentemente) e adoraria ver documentários ou estudar o tema da ótica da cinemática.

O impulso a potência e a conservação de energia do salto sobre o cavalo, a conservação do momento angular nas barras assimétricas, o momento de inércia e a trajetória dos movimentos na trave de equlíbrio... E tudo que é possível imaginar no solo.

Se bem que os movimentos são tão espetaculares e as atletas tão graciosas que ia acabar me distraindo e ó admirando!
;)

domingo, 5 de julho de 2015

A Falácia da Divisão

Quando entrei na escola (particular, tradicional) em 1996, lembro de estudar com filhos de donos de empresas, passavam férias na Disney, essas coisas.
Nunca fui de ter muitos amigos, mas lembro de 3 em especial.
O Marcelo, loirinho, branquinho, que tinha algum atraso no desenvolvimento intelectual, eu com meus 6 anos não entendia porque ele não fazia as atividades como o resto de nós, mas era a única que aceitava sem chorar e sem fazer cara feia sentar com ele.
Lembro da Stephanie, que era grande, forte, encrenqueira, sempre era expulsa da sala, fiz amizade com ela, apesar de mães de amigas minhas não deixarem as filhas fazerem amizade com ela, porque uma criança de 6 anos era má influência.
Mas eu nunca vou esquecer do Jeferson, um menino negro e pobre que só estudava com a gente porque a mãe fazia faxina na escola, lembro de um quartinho escondido da escola onde ele ficava o tempo todo, até nos intervalos porque ele não tinha nenhum amigo, fora uma menina de óculos sem amigos que as vezes aparecia pra brincar com ele quando esperava os pais.
Essas crianças sofreram aos 5, 6, 7 anos de idade a exclusão por serem diferentes, mesmo tendo a oportunidade de estudar numa escola excelente elas sofreram.
Em 1996, 1997, 1998 e 1999 quando estudei ali, nos melhores anos pós Plano Real, já existia a descriminação.
Então por favor, parem de falar que foi o PT que dividiu o país.
A verdade é que o Brasil é dividido em nós e eles de 1500, mas agora algumas pessoas está abrindo os olhos pra isso.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

O Que Você Tem a Perder?

Eu gostaria que minha família tivesse um carro melhor, uma casa melhor, ter aparelhos eletrônicos melhores.
(Não que eu não ame tudo que eu tenha, é que ser humano é ambicioso mesmo)

Eu tenho vários medos, medo de ser desrespeitada, medo de decepcionar meus pais, medo de ser motivo de piada, medo de não conseguir cumprir compromissos.

Mas eu raramente temi pela minha vida, eu nunca tive medo da fome ou do desamparo. Eu aprendi o certo e o errado, eu tive pais presentes na minha educação que nunca me bateram pra machucar, nunca descontaram em mim suas frustrações.

Eu sempre tive oportunidade, estudei em boas escolas, fiz ballet, inglês, informática, treinei handebol, já participei de jogos escolares, campeonato de xadrez, atletismo, fiz cursinho. Eu não tenho medo da falta de oportunidades.

Ao primeiro sinal de que eu não enxergava bem meus pais correram comigo pro oftalmologista e no mesmo dia eu já tinha meus óculos cor-de-rosa que eu tinha escolhido a armação.

Apesar de ter medo de dor e doença eu nunca tive medo de não ser socorrida. Eu sempre tive plano de saúde, eu sempre fui a consultas, fiz exames, tomei remédios, fiz terapia, fisioterapia, cirurgia.

Então se eu cometesse um crime quando era menor e fosse presa, eu perderia muito.

Perderia minha liberdade, a atenção frequente dos meus pais, meus amigos, minha família, meus animais de estimação, meus brinquedos, meus livros, minha escola, minhas atividades, meus desenhos.

No futuro eu provavelmente perderia oportunidades de emprego pela passagem na prisão, perderia anos de estudo, perderia anos maravilhosos da minha infância e juventude.

Então se eu fosse racionalizar a questão, eu veria que não vale a pena roubar para ter um celular novo porque se meus pais puderem me dar, eles darão, se não puderem eu terei oportunidade de estudar, me qualificar, melhorar de vida e no futuro comprar o celular que eu quiser.
No Brasil, na remota possibilidade de eu ser pega (eu sou branca, educada, não sou uma suspeita em potencial) eu perderia coisas que eu amo.

Mas e quem não tem nada a perder?
Quem não tem família presente e amorosa?
Quem não é respeitado, é humilhado, ridicularizado, desprezado?
Quem não tem acesso à educação, cultura, lazer, esporte?
Quem não tem médico quando precisa?
Quem apanha da polícia por ter o tipo "considerado" suspeito?
Quem não vê possibilidade de futuro?
Quem não vê um igual tendo sucesso, melhorando de vida?
Quem não vê possibilidade de conquistar algo que deseja a não ser pelo crime?

O que essas crianças temeriam perder?
Pouco, muito pouco, quase nada, nada.

E vocês acham que a remota possibilidade de ir pra cadeia com 16 em vez de 18 pode mudar isso?

Esses jovens não se intimidam pela presença de criminosos porque esses já fazem parte do seu cotidiano; não temem a comida ruim de cadeia pois muitas vezes é melhor do que a que eles tinham em casa; não temem perder oportunidades futuras de emprego porque nunca viram nelas possibilidades reais de melhoria de vida; não temem a privação de atividades de cultura, lazer e esporte porque muitos nem tinham acesso a nada disso; não temem a ausência da família porque muitas vezes a família não é amorosa, é ausente chegando a violenta e abusadora em muitos casos.
Não temem a privação da liberdade porque já estão acostumados com toque de recolher.

Esse tipo de medida só mostraria alguma eficácia para os jovens que tem algo a perder, mas esses podem pagar advogado e se safar de homicídio culposo mesmo sendo maior de idade.

Os jovens de 16 anos que cometem crime hoje não deixarão de cometer amanhã porque a maioridade penal foi reduzida. A lei "branda" não é o motivo deles cometerem crimes. Então não é mudando essa lei que se chegará a algum lugar.







domingo, 7 de junho de 2015

Anestesia

Acordo, visto a roupa, vou ao banheiro, tomo o café, entro no carro.
Pego o ônibus, cumprimento o motorista, durmo no ônibus, chego na escola.
Assisto às aulas, anoto tudo com cuidado, falo com colegas de sala.
Faço os trabalhos de escola, estudo, vou ao ballet, ensaio, aula.
Talvez seja o único momento que me sinta viva.
Que seja capaz de perceber como o mundo é maravilhoso e como existem mil possibilidades.
Jogo, leio, pinto, me alongo, vejo séries.
Preencho o novo tempo livre fazendo coisas que sempre gostei.
Aliás é estranho ter tanto tempo livre.
Já me livrei da maioria dos objetos que causam lembranças.
Como se isso adiantasse alguma coisa.
Muitas perguntas, muitas dúvidas.
Mas não sei se quero respostas.
Acho que gostaria de certezas, mas certezas não existem.

Volto ao plano original.
Andar sozinha, ler sozinha.
Até o dia em que alguém vai falar que adora o livro que estou lendo.
Vai me falar de um filme que amou e vamos conversar sem notar a passagem do tempo.
Facebook, whatsapp e aquela vontade de continuar conversando.
Descobrir novas manias, novos lugares, novos sabores.
Nem notar que alguém virou meu assunto favorito.
Fecho os olhos e me imagino tomando um frapuccino de caramelo na minha cafeteria favorita.


Mas o que faço se ainda não consigo sair sozinha?
Se tudo que tenho feito são as coisas que sempre gostei no aconchego do meu sofá?
Se o mundo lá fora não parece interessante?
Acho que preciso esperar a metamorfose.
E talvez voltar a sentir o mundo com todos os poros de novo.